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quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Cinema de rua deve ser protegido: o caso do Belas Artes em São Paulo

Por Paula Freire Santoro (fonte: Instituto Pólis - www.polis.org.br)

Começo de ano e a polêmica se instaura: o dono do imóvel onde funciona hoje o Cine Belas Artes pede o imóvel e diz que tem proposta de aluguel maior, para outro uso.

Isso não é novidade. Nas décadas de 1950 e 1960, São Paulo tinha cinemas espalhados por quase toda a cidade, inclusive na periferia, dentro de favelas. O cinema era para todos e, até por isso, se diferenciava: no Centro, salas lançadoras, com inovações tecnológicas, a ida ao cinema era um passeio; na periferia e bairros, salas de bairros. O público do cinema na cidade também atingiu seu ápice em 1960 com uma relação de vinte idas ao cinema por habitante por ano em uma população de quase três milhões de habitantes. A febre do cinema era tão grande que haviam salas improvisadas na periferia, como o Cine Brasilândia (1953) ou o Cine São Luiz na Favela Vergueiro.

A década de 1970 marca uma transição no modo de vida urbano – abertura dos shoppings, a mudança do modo de vida baseada no carro, na ideia de "segurança", "exclusividade", etc. – e, principalmente, na dinâmica dos usos do Centro. A opção por usos mais rentáveis matou o cinema de rua, que majoritariamente ocupava edifícios alugados. A tal ponto que não sabemos que São Paulo teve uma Cinelândia! (Para saber mais sobre a Cinelândia, veja artigo aqui: http://www.polis.org.br/download/256.pdf). Matando o cinema de rua, matamos junto o de bairro. O público só diminuiu e na década de 70 atingimos o índice de três idas ao cinema/hab/ano em média. Trocamos o cinema pelo consumo, o passeio é fazer compras, ir ao shopping.

As salas do Centro sofreram a mudança do bairro, que passou a concentrar escritórios, e, embora o uso habitacional tenha permanecido, sofreu com a migração da classe média para outras áreas da cidade.

Mas nem todas as salas do Centro viraram grandes magazines, estacionamentos ou igrejas. Algumas permaneceram e se transformaram: a boca do lixo, o cine pornô, deram (e dão) vida à este pedaço de cidade.

Também as poucas salas remanescentes ficavam geralmente em galerias, próximas à região da Paulista, onde a vida nas ruas ainda é presente, a tolerância à diversidade existe e a cultura urbana se exacerba.

Resistem à duras penas e sem organização frente a uma avalanche de mercado imobiliário e da lógica da rentabilidade que quer “limpar” outros modos de vida que existem na cidade. Seja mediante projetos urbanos ou pequenas decisões imobiliárias por maior rentabilidade como esta, quer-se esconder as vidas urbanas embaixo do tapete, como se fosse possível uma cidade apenas feitas de shoppings, supermercados, condomínios fechados, carros, vidros fumê blindados.

É preciso proteger e valorizar usos menos rentáveis. E, no caso, o cinema, em São Paulo, faz parte da cultura urbana mais paulistana. Mas como fazer isso? Há várias formas e momentos possíveis.

Um deles é proteger o uso menos favorecido por meio de decisões públicas: que o uso dado ao imóvel seja um cinema! Isso pode ser pensado no plano diretor e do zoneamento da cidade, de forma criativa, procurando não engessar o edifício. Mas, no momento atual, o tombamento do “uso” do edifício de cinema, como patrimônio urbano paulistano, é possível e parece o mais viável e que deve ser considerado pelo Compresp ainda nesta próxima terça-feira. Nesta direção, vale a pena ler interessante artigo do Prof. Nabil Bonduki que apoia este tombamento e mostra algumas decisões públicas relativas à cobrança de IPTU do ingresso e de abrir a possibilidade de preservar o uso de um edifício através do Plano Diretor Estratégico de São Paulo (ver artigo aqui).

Na outra direção seria que os espectadores, ao escolherem qual sala ir, variassem suas escolhas, fazendo da sua ida ao cinema uma decisão consciente e evitando que, pela lógica de consumo, exista apenas um modelo de cinema: o das salas em shoppings centers. Se são, na opinião de alguns, as melhores salas as que tem o melhor som, a melhor pipoca, o melhor estacionamento, para outros, o melhor é ir à pé ao cinema mais próximo; há cinéfilos que apreciam um bom filme, mesmo que a sala seja num lugar difícil de estacionar... Além disso, é conhecida a grade de filmes que passam nestas salas de shoppings que nunca (ou quase nunca) retomam clássicos do cinema ou apresentam filmes não comerciais, alternativos. A inexistência de lugares para exibição de filmes não-blockbusters é fundamental para a permanência do cinema criativo, novo, inteligente.

Mas, sim, há tantos outros temas a serem considerados, que aqui só dou umas pinceladas a partir dos debates que já aconteceram.

Ao lutarmos pela permanência do Cine Belas Artes como símbolo da permanência do cinema de rua, estamos apoiando um negócio privado de uma empresa que administra o cinema e que tem condições de mantê-lo sem recursos públicos a mais (inclusive, o Belas Artes parece já possuir patrocínio privado). Não estamos lutando para que os governos dêem recursos para este cinema, mas sim para a permanência deste uso neste lugar da cidade.

A TV não destruiu o cinema na década de 1950, nem tampouco, o vídeo VHS, o DVD, o Blue-Ray, a TV a cabo... Estas novas mídias e tecnologias têm modificado o cinema, mas a atividade ainda resiste, mostrando que há público para todas estas inovações. No caso paulistano, faz parte do modo de vida urbano e existe desde o início do século.

Marcar com reserva de uso um imóvel só tem sentido se este estiver cumprindo uma função social. Como é o caso das Zonas Especiais de Interesse Social, que são marcadas sobre áreas onde se quer prioritariamente fazer habitação de interesse social, de forma a garantir espaços onde, pela lógica de mercado, não haveria lugar para este uso. Portanto, marcar o edifício para ser utilizado como cinema é reservar espaço onde já não há, e por isso, só tem sentido acontecer se for do interesse coletivo e público.

Infelizmente, este é um tema de interesse mais das classes médias e altas que frequentam este cinema do que das classes mais empobrecidas. Até por isso, há menos resistência por parte dos gestores em tomar medidas mais rapidamente. A periferia já teve muitas salas de cinema, o interior do Estado de São Paulo também, e as salas fecharam, por diversos motivos. Mas, por outro lado, não sejamos inocentes. Se por um lado, dar oportunidade para os mais pobres irem ao cinema passa pela oferta de salas, e os equipamentos da periferia paulistana mostram isso. Por outro, a vida dos que vivem distantes das áreas centrais precisa mais do que isso para ir ao cinema: precisam não perder tantas horas de seu dia no transporte público, de recursos financeiros, precisam ter com quem deixar os filhos, entre outros. Levar a cultura e lazer para todos deve ser um objetivo sempre e que envolva políticas de mobilidade, econômicas, associadas às de cultura e lazer.

O cinema já foi mais e menos (ou menos e mais) emblemático de uma cultura brasileira. Sim, poderia ser mais, poderia ter mais espaço para a produção local ou talvez compartir mais com a cultura do entretenimento.

Como bem disse Ruy Castro, um cinema de rua que fecha é uma calçada, um pipoqueiro e uma fila a menos numa cidade (grifo meu). Um lugar de encontro a menos.

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

O Presidente do IBAMA se demitiu quarta-feira passada [14.01.11] devido à pressão para autorizar a licença ambiental de um projeto que especialistas consideram um completo desastre ecológico: o Complexo Hidrelétrico de Belo Monte.

A mega usina de Belo Monte iria cavar um buraco maior que o Canal do Panamá no coração da Amazônia, alagando uma área imensa de floresta e expulsando milhares de indígenas da região. As empresas que irão lucrar com a barragem estão tentando atropelar as leis ambientais para começar as obras em poucas semanas.

A mudança de Presidência do IBAMA poderá abrir caminho para a concessão da licença – ou, se nós nos manifestarmos urgentemente, poderá marcar uma virada nesta história. Vamos aproveitar a oportunidade para dar uma escolha para a Presidente Dilma no seu pouco tempo de Presidência: chegou a hora de colocar as pessoas e o planeta em primeiro lugar. Assine a petição de emergência para Dilma parar Belo Monte – ela será entregue em Brasília, vamos conseguir 300.000 assinaturas:

http://www.avaaz.org/po/pare_belo_monte/97.php

Abelardo Bayma Azevedo, que renunciou à Presidência do IBAMA, não é a primeira renúncia causada pela pressão para construir Belo Monte. Seu antecessor, Roberto Messias, também renunciou pelo mesmo motivo ano passado, e a própria Marina Silva também renunciou ao Ministério do Meio Ambiente por desafiar Belo Monte.

A Eletronorte, empresa que mais irá lucrar com Belo Monte, está demandando que o IBAMA libere a licença ambiental para começar as obras mesmo com o projeto apresentando graves irregularidades. Porém, em uma democracia, os interesses financeiros não podem passar por cima das proteções ambientais legais – ao menos não sem comprarem uma briga.

A hidrelétrica iria inundar pelo menos 400.000 hectares da floresta, impactar centenas de quilômetros do Rio Xingu e expulsar mais de 40.000 pessoas, incluindo comunidades indígenas de várias etnias que dependem do Xingu para sua sobrevivência. O projeto de R$30 bilhões é tão economicamente arriscado que o governo precisou usar fundos de pensão e financiamento público para pagar a maior parte do investimento. Apesar de ser a terceira maior hidrelétrica do mundo, ela seria a menos produtiva, gerando apenas 10% da sua capacidade no período da seca, de julho a outubro.

Os defensores da barragem justificam o projeto dizendo que ele irá suprir as demandas de energia do Brasil. Porém, uma fonte de energia muito maior, mais ecológica e barata está disponível: a eficiência energética. Um estudo do WWF demonstra que somente a eficiência poderia economizar o equivalente a 14 Belo Montes até 2020. Todos se beneficiariam de um planejamento genuinamente verde, ao invés de poucas empresas e empreiteiras. Porém, são as empreiteiras que contratam lobistas e tem força política – a não ser claro, que um número suficiente de nós da sociedade, nos dispormos a erguer nossas vozes e nos mobilizar.

A construção de Belo Monte pode começar ainda em fevereiro.O Ministro das Minas e Energia, Edson Lobão, diz que a próxima licença será aprovada em breve, portanto temos pouco tempo para parar Belo Monte antes que as escavadeiras comecem a trabalhar. Vamos desafiar a Dilma no seu primeiro mês na presidência, com um chamado ensurdecedor para ela fazer a coisa certa: parar Belo Monte, assine agora:

http://www.avaaz.org/po/pare_belo_monte/97.php

Acreditamos em um Brasil do futuro, que trará progresso nas negociações climáticas e que irá unir países do norte e do sul, se tornando um mediador de bom senso e esperança na política global. Agora, esta esperança será depositada na Presidente Dilma. Vamos desafiá-la a rejeitar Belo Monte e buscar um caminho melhor. Nós a convidamos a honrar esta oportunidade, criando um futuro para todos nos, desde as tribos do Xingu às crianças dos centros urbanos, o qual todos nós podemos ter orgulho.


Fontes:

Belo Monte derruba presidente do Ibama:
http://colunas.epoca.globo.com/politico/2011/01/12/belo-monte-derruba-presidente-do-ibama/

Belo Monte será hidrelétrica menos produtiva e mais cara, dizem técnicos:
http://g1.globo.com/economia-e-negocios/noticia/2010/04/belo-monte-sera-hidreletrica-menos-produtiva-e-mais-cara-dizem-tecnicos.html

Vídeo sobre impacto de Belo Monte:
http://www.youtube.com/watch?v=4k0X1bHjf3E

Uma discussão para nos iluminar:
http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20101224/not_imp657702,0.php

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Morte maciça de aves e peixes dá origem a estranhas teorias


"Primeiro 5.000 merlos despencaram dos céus no Arkansas, sul dos Estados Unidos, na noite de Ano Novo; depois mais pássaros mortos caíram em outras regiões e, por último, uma enorme quantidade de peixes foi descoberta flutuando de barriga para cima nas águas do país.

Subitamente, isto se tornou um fenômeno mundial: houve reportes de mortes maciças de aves e peixes em Brasil, Suécia, Grã-Bretanha, Japão, Tailândia e ainda mais."

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Primeiro posto do ano: a ABIPET (Associação Brasileira da Indústria do Pet) disponibiliza em seu site (www.abipet.org.br) locais para a destinação adequada de pets (http://www.abipet.org.br/index.html?method=mostrarMapa&mapa=true). Os pets (vasilhames de refrigerantes, p. ex.) são um dos maiores poluentes de rios e oceanos.

O material tem inúmeras formas de utilização após o consumo de seu produto. O artesanato é uma das maneiras bacanas de reutilização. Veja ótimas peças em http://www.asta.org.br.